O que a bananeira e o limoeiro me ensinaram sobre relacionamentos.
Minha mãe sempre gostou de plantas e as cultivou com muito carinho e cuidado em casa. Minhas primeiras lembranças são simplesmente de plantas bonitas como orquídeas e outras flores. Depois, lembro que a hortelã, o alecrim e o manjericão, por exemplo, vinham da horta dela. Até que ela começou a plantar árvores frutíferas ao redor da piscina, onde antes era o lugar dos coqueiros.
Um parênteses rápido sobre os coqueiros: foi ótimo tirá-los de lá porque cresceram muito, faziam muita sombra e não existia mais a opção “tomar sol” ali! Simplesmente porque o jardineiro (tem um nome fancy pra profissão dele, mas não lembro agora) contratado errou na hora de plantar – a solicitação era de coqueiros pequenos e ele parece ter trazido direto de Fortaleza – CE, daqueles sombreiros de praia.

Voltando ao hobby da minha mãe. Quando já tínhamos babosa (aloe-vera), guaco, boldo, melissa, menta, sálvia, ora-pro-nobis, pé de uvaia e talvez mais algumas que eu não me lembro agora, ela plantou um limoeiro.

E aí dá-lhe ansiedade para aguardar o tempo dele em nos entregar o que queríamos. Quem planta um limoeiro quer o que? Isso mesmo: limões!
Não lembro quanto tempo se passou, mas, depois dos 30 anos, os dias são longos e os anos são curtos. Ou seja, não notamos o limoeiro crescer de um dia para o outro, mas, quando notamos, já podíamos colher limões daquele pé! E só quem comeu fruta do pé sabe o prazer desse contato tão direto com a natureza.
Depois, veio o mamoeiro, mas esse durou uma safra só – muito trabalho pra pouco mamão bom. Num belo dia, mamãe simplesmente o arrancou dali, com as mesma técnica que ela arranca dentes do siso (ela é dentista).
Agora, vamos as bananeiras!!
Ah, as bananeiras… pensa numa árvore que cresce rápido e prolifera muito rápido. O que era pra ser uma bananeira, pouco tempo depois já eram 3, 4, 5… e hoje precisamos cortar no broto porque já não há espaço pra mais. A última que frutificou, diante do pouco espaço para enraizar (chute meu, claro), despencou numa noite de vento e chuva forte.
Além disso, já cansamos de fazer tanta biomassa com banana verde e a sombra que ela faz já está de bom tamanho.

Pois bem, e toda essa ladainha da horta (que virou pomar) da minha mãe pra que?
Porque um dia vi minha mãe conversando com o limoeiro sobre como ele já não produzia limões como antes. E ela dizia assim:
Por que você está com esses limõezinhos tão mirradinhos? Na última safra, já foi fraquinho, se continuar assim, você vai lá morar com o mamoeiro (lembra que esse ela arrancou neh!).
Fiquei observando e pensei “falta de nutrientes na terra não pode ser porque olha só o tamanho e a vivacidade dessa bananeira bem ao lado dele!”. Continuei observando e percebi o óbvio: a bananeira estava sugando tudo da terra pra ela, sem deixar nada para o limoeiro.
Sem nutrição, ele parou de entregar limões.
Daqui, eu tiro duas lições claras:
- A energia é finita: a que vai pra um lugar não vai pra outro.
Por muitos anos, toda a minha energia na vida, mas principalmente nos relacionamentos, era canalizada apenas para a satisfação do outro.
Meu único objetivo era agradar, não incomodar, compreender, ser querida…. Ser escolhida.
Num certo namoro, minha mãe me disse:
“Ele é educado e tal, mas o que ele te acrescenta como pessoa? O que você aprende com ele? Em que ele te desenvolve? Esse namoro teu aí é muito bom…. Pra ele. Enquanto você faz muito bem pra ele, você está cada dia mais sugada, drenada.”
Eu achava que direcionando meu cuidado para eles, eu estava cuidando da relação e, indiretamente, cuidando de mim.
Mas a realidade é que me faltava equilíbrio.
Hoje, depois de muita terapia e estudo, eu entendo que não estava simplesmente preocupada com ele, mas sim alimentando minhas feridas de rejeição e abandono. Quem sabe se eles gostassem muito de mim, não me deixariam.
Pois bem, como minha mãe logo percebeu, a energia que investi neles faltou pra mim e eu saí desses relacionamentos devastada.
Quando era jovem, entendia que um relacionamento saudável é construído por 2 pessoas que cuidam uma da outra: “Eu penso nos seus interesses, você pensa nos meus e tudo se equilibra para ambos.”
Mas a vida me ensinou que, antes de se jogar confiando nessa premissa, precisamos aprender a escolher o parceiro da caminhada e alinhar tanto essa premissa quanto tantas outras.
Então, te pergunto: onde você está investindo a sua energia?
- Em cuidar do outro? Consertar o outro? Salvar o outro? Mudar o outro? Agradar o outro?
- Ou em se conhecer no profundo? Identificar os próprios limites e as próprias necessidades? Conhecer os próprios gatilhos? Aprender a regular o próprio sistema nervoso e, então, parar de reagir e começar a responder, com tranquilidade, responsabilidade e consciência?
Tem coisas que você só pode fazer por você.
Tem coisas que só você pode fazer por você.
Pegou neh?
- Sem nutrição, não temos como entregar o nosso melhor.
Enquanto o limoeiro não dividia a terra com nenhuma árvore frutífera do seu porte, ele entregou belos limões. Quando a bananeira chegou, cresceu e ficou maior que ele, não lhe sobraram nutrientes e ele começou a entregar menos.
Assim funciona pra gente também: se não nos nutrimos, ficamos fracas e não entregamos o nosso melhor. Só nos relacionamos bem se estivermos bem!
O que é se nutrir? É cuidar de si mesma tanto por dentro quanto por fora.
Somos físico, racional, emocional e espiritual. Nutrir-se é, então, cuidar de cada uma dessas nossas partes.
Físico: faça atividades físicas.
Tanto pela vaidade de se olhar no espelho e gostar do que vê quanto pela responsabilidade de cuidar da maquininha (caso não tenha se atentado, lembrete suave: nosso corpo, como qualquer máquina, vai ‘estragando’ com o tempo) e poder contar com ela com o passar dos anos.
Racional: estude e aprenda coisas novas.
São inúmeros os estudos sobre os mais diversos assuntos. Escolha um do seu interesse e esteja sempre estudando. Não necessariamente como obrigação, é claro. Mas pelo prazer de conhecer novas perspectivas, novas descobertas sobre assuntos que pareciam esgotados.
A expansão de consciência é o que te dá novas opções de escolha na vida!
Emocional: saiba se regular, entenda o que te tira do eixo e aprenda como voltar.
A forma como lidamos com vínculos afetivos e padrão de apego é definida nos primeiros 18 meses de vida (dá um google aí, tem vários artigos sobre isso). Ou seja, se você nunca investigou esse assunto, você lida com as emoções como um bebê de até 1 ano e meio.
Entender como seu sistema nervoso lida com determinadas situações é fundamental para que você possa reconhecer vínculos saudáveis, afastar-se dos emocionalmente doentes e, assim, construir relacionamentos sólidos, firmados em comunicação, autorresponsabilidade, reciprocidade, intenção e o que mais for importante pra você.
Espiritual: entregue o que não está no seu controle.
Aqui, não é necessariamente sobre religião, mas sobre um sobrenatural, que rege o que não controlamos. Eu sou cristã e creio na soberania de um Deus que me criou, que me sustentou até aqui, que me orientou quando eu não sabia pra que lado seguir e que me responde das formas mais sobrenaturais quando eu me sinto perdida. Mas você pode crer no que fizer sentido na sua história – no limite, a natureza ou o universo. O importante aqui é ter pra quem entregar os inúmeros assuntos que simplesmente não estão no nosso controle para, assim, podermos focar nos que podemos controlar (basicamente: nós mesmas!).
Bom, por hoje é só!
Vamos ver se o limoeiro consegue se reerguer… me acompanha lá no Instagram que as atualizações são mais online!
